• Frizzo

A guerra Siro-Efraimita (735-734 a.C.) [1]

Atualizado: 17 de Abr de 2018


Foto: Jerusalém, antigas fortificações. Crédito: María Luján.

Introdução:

  • Estamos diante do que acostumamos chamar de Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr).  Uma obra redigia na Palestina no século VI a.C. , com o objetivo de explicar o fim do reino de Judá e o exílio babilônico.

  • O primeiro estudo sobre a OHDtr aconteceu há  mais de 60 anos, como parte da conclusão do estudo empreendido por Martin Noth, em sua obra intitulada Überlieferungsgeshichtliche Studien (Estudos de Historia das tradições).

  • Após os estudos de Noth surgiram inúmeros estudos aprofundando ou acenado novas questões sobre os autores deuteronomistas, momentos em que as tradições foram relidas, os objetivos de tal releitura, seus autores entre outras questões,

  • Para pensar a situação o cenário internacional é relevante. Vale destacar: 

  1. Século XIII: época da chegada dos povos do mar,

  2. Até o ano de 745 (época do surgimento de Teglat-Falasar III) nenhuma interferência imperialista acontece na região de Canaã,

  3. Sem nenhuma ingerência imperialista, as cidades-estados gozam que relativa estabilidade.

  • A partir de 745 a região de Canaã passa a sofrer ingerências militares e econômicas do império assírio.


Israel e a destruição imposta pela Assíria:

  • Guerras internas – não muito bem registradas – levam ao poder Teglat-Falasar III, um dos maiores monarcas assírios. Aos seus cuidados foram registrados inúmeras incursões militares:

  1. Garantiu as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico,

  2. As tropas assírias tomaram o rumo sul,

  3. Desbaratou as coalisões e impondo os dinastas aramaicos,

  4. As guerras passam a ter um caráter de conquista: invasão, destruição, deportação e incorporação ao império assírio.

  5. Amalgama de populações diferentes (origens, culturas) submetidas a uma única jurisdição,

  6. Ao longo de três séculos tal estratégia militar/governo (deportação cruzada) tenha envolvido cerca de 4 milhões de pessoas. Impossibilitando qualquer tipo de resistência ou um possível levante.

  • Reflexos em Israel:

  1. Instabilidade política: em menos de 30 anos (753 a 722) seis reis se sucederam no trono da Samaria abalado por assassinatos e golpes sangrentos (II Rs 15,8. 13. 17),

  2. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Selum, Manaém, Facéia e Oséias),

  3. Quatro reis foram assassinados: Zacarias, Selum, Facéias e Facéia,

  4. Em 738, Teglat-Falasar III já submetera grande parte da Siria, Fenícia e Israel,

  5. Manaém (753/742) paga tributos para a Assíria (2Rs 15,19-20)


Quadro cronológico dos reis de Israel e Judá [2]

Davi: 1010-971

Salomão: 971-931



A guerra Siro (Damasco) – Efraimita (Israel):

  • Situação social se agrava no tempo de Facéia. Uma aliança é feita como rei de Damasco, como objetivo de barrar a expansão assíria na região sul,

  • Acaz, rei de Judá, é convidado a fazer parte da revolta. Acaz não aceita a proposta e, em detrimento, os reis de Israel e Damasco invadiram Judá (2Rs 16,5). Possivelmente uma disputa territorial estava em jogo na região da Transjordânia,

  • Acaz apela por ajuda ao rei da Assíria que não perde tempo em vir em socorro ao país aliado. Damasco é arrasada e cidades estratégicas de Israel caem nas mãos dos assírios, impondo o sistema de vassalagem,

  • A guerra Siro-Efraimita é mencionada nos capítulos 7 e 8 do profeta Isaías,

  • Israel entra no regime de vassalagem e Israel é forçada ao pagamento de pesados tributos (2Rs 16,8),

  • Judá se envolve num outro conflito, na região de Elat (2Rs 16,6). Está em jogo o controle pelas rotas comerciais,

  • Oséias ocupa o trono em total submissão a Teglat-Falasar III que constrói na região da Samaria as províncias de Dor (região costeira), Meguido (Galileia); Galaad (Transjordania),

  • Cerca de 13.520 pessoas são deportadas (cf. Liverani),

  • A destruição é arqueologicamente documentada em Hasor, Dã, Tel Kinneret, Bet-Shean (cf. Finkelstein, A bíblia não tinha razão),

  • Quando Salmanasar V (727/6-722 a.C.) substituiu Teglat-Falasar III, Oseias pensou ser o momento ideal para revolta. Negou a pagar os impostos aliando-se ao Egito. A estratégia foi um verdadeiro suicídio. Com o Egito dividido e fragilizado em guerras internas, a ajuda esperada não veio. Salmanasar V atacou, prendeu o rei, ocupou o país e cercou a Samaria em 724 (2Rs 17,3-6)

  • Samaria caiu em 722 e o filho de Salmanasar V, Sargão II (721-705), foi o encarregado da deportação e substituição da população. O número dos deportados foi de 27.290 pessoas, segundo os anais de Sargão II.

  • A Assíria realizava de vez seu projeto de controlar as ricas e férteis terras do sul. As nascentes de água, finalmente, faziam parte do vasto império assírio, fazendo frente ao império Egípcio.


Movimentos contra a Assíria:

Textos:

  • Is 7,2; 8,10; 8,9-10; 17,1-6

  • 2Rs 16,10-16

  • Is 8,1-4;

  • Para lutar contra o leão, Acaz se joga nos braços do Urso (Am 5,19);

  • Is 3,25-26;

  • Amós e Isaias são ridicularizados (Is 8,11-15; Am 7,10-14



[1] NAKANOSE, S.; PEDRO, Enilda, Como ler o Primeiro Isaías (Is 1-39), Paulus, 2008; DA SILVA, Airton, O contexto da Obra Histórica Deuteronomista, in EstBil, 88, p. 11-27.

[2] Cf. PAVLOVSKY, V.; VOGT, E. Die Jahre der Könige von Juda un Israel. Bíblica, Roma, n. 45, p. 321-347.

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Professor Padre Antonio Carlos Frizzo

Possuo doutorado em Teologia Bíblica pela PUC-Rio (2009). Sou professor no Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP- SP) e assessoro cursos no Centro Bíblico Verbo, SP.

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