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Introdução ao Apocalipse: A boa nova em tempo de perseguição

Foto do escritor: Frizzo
Frizzo
21 de mai. de 2018
14 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2022


fotomontagem: André Mello Occulate (KASEcom)

1. Introdução


a) Origem da literatura apocalíptica

A literatura apocalíptica nasce no pós-exílio, por volta de 536 a.C. Como literatura, será entre os séculos II aC – II d.C, seu período áureo. Numa situação de crise, de destruição de suas instituições, o povo de Judá precisa ser reorganizado. Surgem dois projetos. O projeto da pirâmide, ou projeto oficial, que tenta reorganizar o povo através das instituições: Templo (culto), lei, raça (Esdras, Neemias; Crônicas e outros). Ao mesmo tempo ressurge o projeto da sociedade tribal que busca reorganizar o povo através de grupos de resistência e solidariedade, ajudados pela literatura sapiencial e através da literatura apocalíptica (textos de Daniel, Joel, Zacarias, Isaías (partes do Primeiro Isaías, do Segundo e todo o Terceiro Isaías) e outros. Portanto, a literatura apocalíptica nasce no tempo dos grandes impérios. É a resistência esperançosa das pequenas comunidades, anônimas, diante dos grandes opressores.

O objetivo do Apocalipse é reconstruir a consciência coletiva e a prática social. O movimento apocalíptico nasce do lado de quem não tem controle da história, da vida. Ou seja, do lado dos/as excluídos/as. Esse pessoal acredita que embora estejam perdidos aqui, no mundo debaixo, no mundo de cima, Javé, o Senhor da história, tem controle.


b) O que é Apocalipse?

A palavra ΄Αποκάλυψις, (Apocalipse) é um verbete grego que significa revelação – tirar o véu. Mostrar o verdadeiro sentido da história. Recuperar a esperança. Deus é o Senhor da Vida, ele é o dono da história.


c) Características da literatura apocalíptica

· Demonstra que é tempo de perseguição;

· Faz uma releitura da história a partir do passado, do presente e do futuro, no qual Deus faz um grande julgamento – Deus castiga;

· Quer revelar a presença de Deus no meio dos acontecimentos;

· Usa uma linguagem simbólica e poética: visões, mitos. São textos de época de perseguição. Os nomes de pessoas, lugares, datas são simbólicos e, em geral, tirados do Primeiro Testamento. Os mitos contados possuem muitos sentidos e estão sempre abertos a novas interpretações. O apocalipse cria mitos libertadores e subverte os mitos dominantes;

· Apresenta a luta entre o bem e o mal, através de uma visão cósmica do mundo: céu e terra. A luta que acontece no céu, se reflete na terra.

· O Apocalipse nasce do lado de quem não tem o controle da história, ou seja, os/as excluídos/as


d) Época, local, autoria do livro do Apocalipse (quem escreveu, onde e quando)

Época: o Apocalipse foi escrito em etapas, que vão do ano 64 até 95.

· Etapas da elaboração do livro:

· Bloco 1,4 – 3,22: introdução e cartas às comunidades: exigência de fidelidade e compromisso. Redação do ano 95.

· Bloco 4,1 – 11,9: A Boa Nova ou Novo Êxodo. Anúncio da libertação. Redação do ano 64.

· Bloco 12,1 – 22,9: a Boa Nova: julgamento da história. Redação do ano 95

Local: o livro do Apocalipse foi escrito em alguma região da Ásia Menor, provavelmente nas proximidades da comunidade de Éfeso.

Autoria: O livro do Apocalipse foi escrito por um cristão que havia sido judeu. O nome João era muito conhecido na época. Por outro lado, o autor se apresenta como integrante de um grupo de profetas (22,9), “testemunha da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo” (1,2.9); “servo de Jesus Cristo” (1,1; 22,6). Em 1,9 ele se apresenta como “irmão e companheiro de seus ouvintes”.

e) A realidade da Ásia Menor, na época em que foi escrito o livro do Apocalipse

– contexto internacional (Ap 18,9-29)

· O livro do Ap foi escrito no contexto do Império Romano que assumiu o sistema helenista, cujo modo de produção era o escravagismo. Qual o interesse desse sistema? Ver Ap 18,11-13 [F1] . O mercado, o comércio, o lucro. As pessoas não contam.

· Para conseguir seus interesses, eles organizam as cidades, as “polis”, para que haja mais fluxo do mercado. (lembrar a construção da Decápole... Mc 5 [F2] )

· Essa sociedade escravagista tem mão de obra montada em dois pilares: escravos e latifúndios (a terra é mercadoria, para aumentar os lucros – por isso fazem guerras constantes... Podemos lembrar Ap 6, os cavalos, que estudaremos logo adiante.

· Essa sociedade não respeita a vida humana. E, as maiores vítimas são os camponeses. Quando um povo perde a guerra, perde também a terra e se torna escravo – excluído.

· O projeto das comunidades cristãs é mostrar o avesso dessa história: uma comunidade de partilha, de solidariedade. É o projeto comunitário X o projeto de exclusão. Ou seja, o projeto da CASA X o projeto do império.

· Os judeus cristãos, embora poucos começam a incomodar, porque conquistam pessoas do império. Essas comunidades pequeninas não têm domínio da história. Elas não têm nada, são despojadas de tudo. Mas, dentro delas nasce a proposta apocalíptica.

f) Contexto interno e externo das comunidades do Apocalipse – contexto nacional.

· Situação externa das comunidades: Perseguições: 12,13: dragão jogado na terra, perseguição da Mulher (=comunidade); 12,17: o dragão foi combater o resto da descendência dela; 13,7: guerra contra os santos. Prisões: muitos já haviam sido martirizados. 2,13: Antipas, minha testemunha fiel, que foi morto entre vós, onde satanás habitava; 6,9: ao abrir o sexto selo, vi sob o altar as almas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus; 7,13: vestes brancas, grande tribulação.

· Situação de Judá na primeira etapa da redação do Apocalipse: Guerra judaica e expulsão dos judeus cristãos das sinagogas. Nos anos 60 – 70 acontece a guerra judaica. Dois grupos sobrevivem nessa situação:

- os judeus fariseus e os

- judeus cristãos.

O império romano faz aliança com os judeus fariseus, porque eles controlavam as sinagogas, espaço que congregava o povo judeu. As sinagogas tinham várias funções:

- educação das crianças “1º. e 2º. Graus;

- ensino de técnicas de trabalho;

- oferta de possibilidades de trabalho;

- era local de assembléias para resolver questões da vila ou aldeia;

- era local de celebrações e orações;

- orientava o jejum; distribuía esmolas

- organizava os enterros;

- ensinava e conferia a prática das 613 leis que regiam a vida do povo;

- quem participava das sinagogas, em caso de guerras, tinha o direito de ficar no pelotão dirigido por judeus.

Ter controle sobre isso era de interesse do império. Através da aliança com os judeus fariseus, o império se apropriava das sinagogas e explorava o povo autorizando os fariseus a cobrarem todo tipo de dízimo.

A comunidade cristã entra em conflito com o império e com os judeus fariseus, por causa do projeto comunitário.

Por volta do ano 85, os judeus-cristãos foram expulsos das sinagogas. Como isso eles perderam acesso:

- ao comércio, ao trabalho; às decisões; ao culto, ao ambiente comunitário de oração; às esmolas, ao enterro de seus mortos em espaços dos judeus.

Em síntese, eles perdem a cidadania e ficam expostos à perseguição do império (Ap 2,9; 3,9; 8,5).

· Situação interna das comunidades: 2,2: cansaço; 2,4: diminuição do primeiro amor;

2,2: falsos lideres; 2,6.15: doutrinas erradas; 2,14; 16,20: problemas com as outras religiões que se misturavam com a fé em Jesus. 3,1: algumas comunidades estavam morrendo; 3,8: outras estavam bem fraquinhas. Havia nas comunidades gente muito pobre e indigente. Por outro lado, havia comunidades ricas, que se acomodaram... “não eram nem frias, nem quentes”... 3,16-17.

Outras citações sobre o sofrimento do povo: 16,6; 17,6; 18,24; 20,4.

O Apocalipse quer ajudar o povo a encontrar-se novamente, com Deus, consigo mesmo e com a sua missão. Quer animá-lo a não desistir da luta e a se armar para o combate.


g) Estrutura do livro do Apocalipse:

O livro do Ap está estruturado em forma de quiasmo (= estrutura concêntrica que pode ser comparada a um sanduíche: pão, manteiga, queijo, presunto (centro) + queijo, manteiga, pão). As idéias se organizam de forma paralela, de tal forma, que a mensagem central fica destacada no centro.

Vejamos:

A: Prólogo e saudação: 1.1-8;

B. A visão apocalíptica da Igreja: 1,9 – 3,22.

C. A visão profética da história: 4,1 – 8,1

D. As 7 trombetas. Releitura do Êxodo: 8,2 – 11,3

E. A comunidade cristã entre as Bestas: 12,1 – 15,4 (mensagem central do livro)

D´. As 7 taças. Releitura do Êxodo: 15,5 – 16,21.

C´. A visão profética da história: 17,1 – 19,10.

B´. A visão apocalíptica do futuro: 19,11 – 22,5.

A´. Epílogo – tempo presente: 22,6-11


2. Ap 1: as três portas de entrada


a) Primeira porta: Apresentação. Ap 1,1-3: coloca o resumo e o objetivo do livro. Define o livro como um apocalipse, isto é, Revelação.

b) Segunda porta: Saudação. Ap 1,4-8: apresenta o livro como carta amiga. Cria o ambiente comunitário de fé, de esperança e de celebração, no qual o livro deve ser lido e interpretado.

c) Terceira porta: Visão inaugural de Jesus. Ap 1,9-20: transmite uma experiência que faz perceber o alcance da fé na ressurreição para a vida das comunidades. É um resumo da mensagem do livro. É aqui que João recebe a ordem de escrever tudo para as sete comunidades.

Na apresentação você bate à porta. Na saudação, João vem abrir e convida para entrar. Na visão inaugural, ele nos leva para dentro e nos coloca em contato direto com Jesus, o Dono da Casa.

Depois de apresentar todos os títulos de Jesus, o povo das comunidades responde com gosto: AMÉM [1].



3. Ap 2-3: As cartas

1. Conhecer a situação das comunidades. O que cada comunidade tem de positivo e de negativo? Qual o ponto em que cada comunidade deve esforçar-se mais? Quais os perigos que a ameaçam? Comparar com os tempos de hoje.

2. Enfrentar a situação. Como João pede que as comunidades enfrentem a situação? Quais os recursos de que cada comunidade dispõe para enfrentar os problemas? Como enfrentamos estes problemas hoje?

3. Alimentar-se do Antigo Testamento. Quais as partes do AT citadas ou lembradas em cada carta? Quais as forças que João quer despertar nos Cristãos? Como acordar hoje a força que nos vem do nosso passado?

4. Aprofundar a fé em Jesus. Quais os títulos que Jesus recebe em cada carta? Qual o sentido e a força de cada título para a vida? Comparar com os títulos que Jesus hoje recebe nos cantos, celebrações, romarias etc.

5. Saborear as imagens e as comparações. Quais as comparações e imagens usadas em cada carta? De onde foram tiradas: do Primeiro Testamento, da natureza, da vida ou da cultura do povo? Qual o sentido de cada imagem para a vida?

6. Imitar o exemplo de João. Informar-se sobre a situação concreta das nossas comunidades [2].



4. Estudo de Ap 4 – 11: O roteiro do Novo Êxodo.


O contexto dos capítulos 4 – 11: esse texto foi escrito entre os anos 64 e 68, na época do imperador Nero. Com base no sistema escravagista, o imperador era divinizado. Nesse período a perseguição estava localizada em ROMA. A guerra judaica já havia começado. Os cristãos estavam perdendo suas terras. Era muito sofrimento!

Os capítulos 4 – 11 mostram que no mundo de cima Deus controla a história, portando, no mundo debaixo, a história também será controlada. Não tenham medo!

Vejamos o capítulo 4. Esses textos, na sua maioria, foram tirados do Êxodo.

Ler 4,8-11: percebamos aqui a descrição de Deus. Vamos dar destaque ao 4,8b – o nome de Deus, tirado de Ex 3,14-15=aquele que existe. Trata-se de um verbo, não de um nome. É o verbo “haiah”, ser, estar, existir: הָיָה . Deus é aquele que existe

As consoantes יְהוָה com as vogais de Adonai - dão o nome de Yehova. O desconhecimento disso fez com que se chegasse ao nome de “Jeová” (no mínimo é ignorância linguística.)

Que tipo de Deus as comunidades do Apocalipse estavam projetando, ou que tipo de Deus eles/as sonhavam? Eles retomam o Deus do Êxodo: 3,7: “Eu vi. Eu vi o sofrimento do meu povo. Eu conheço suas angústias. Eu desci para libertá-lo”. Deus conhece a história do povo. Ele está no seu meio para libertá-lo.

Aqueles grupinhos de escravos/as acreditavam em Deus como Senhor da história. Acreditavam que Ele está presente no dia-a-dia do povo. Ele estava, está e estará no meio do povo – era a proclamação daquelas comunidades sofridas.

Vejamos o capítulo 5:

O que é esse livro selado? É o livro da história. Quem consegue abrir esse livro? O Cordeiro.

O capítulo 5 mostra quem é o Cordeiro. Podemos ler Ap 5,6-9.

No lugar do Império, a comunidade “aposta” no poder do Deus libertador do Êxodo. Ele é o Senhor do universo, cercado dos 24 anciãos, ou seja, todo o povo de Deus. Esse Deus, esse povo, tem o privilégio de abrir o livro.

Quem é o Cordeiro, no Primeiro Testamento?

Essa imagem vem da festa Pascal: Ex 12.

O que é a festa Pascal? É a celebração da passagem da opressão para a libertação. Era a festa da CASA, onde os anciãos presidiam a celebração sem sacerdotes, e aí se partilhava a comida entre todos.

Agora, Jesus é o Cordeiro, ele está presente na casa e na partilha.

Quem consegue entender o livrinho, a história, é Jesus, mas é também as comunidades que lutam pela vida.

Que outro texto temos no Primeiro Testamento, que fala sobre o Cordeiro? São os Cânticos do Servo Sofredor, do profeta Isaías.

Primeiro Cântico: Is 42,1-9: o servo é o povo de Deus que tem a missão de proclamar o direito e a justiça.

Segundo Cântico: Is 49,1-5: a comunidade do povo de Deus assume essa missão.

Terceiro Cântico: Is 50,4-11: o servo sofre, mas resiste.

Quarto Cântico: Is 52,13 – 53,12: como consequência, o servo morre, mas continua vivo naqueles/as que lutam pela vida.

LER: Is 53,10 – ele assume livremente sua missão (lembrar Jesus que disse: ninguém me tira a vida, eu a dou – Jo 15,...)

Compreender o texto em seu contexto impede de celebrar, orar por um cordeiro passivo, longe dos conflitos. A simbologia apocalíptica é expressão do conflito.

Resumo: enquanto no capítulo 4 nós temos a comunidade que apresenta Deus, o Senhor da história – o Deus do Êxodo, que estava, está e estará presente – convive com o povo. Esse povo vive a partilha. Já no capitulo 5 temos a explicação de quem é o Cordeiro. Esse Cordeiro conhece a história – é aquele grupo que pratica a justiça, o direito, a solidariedade e anda na contramão do Império Romano, por isso é perseguido e morre... mas, continua vivo naqueles e naquelas que praticam o projeto de vida.

O Apocalipse não é uma espera passiva. O movimento apocalíptico nasceu no contexto dos grandes Impérios. São pequenas comunidades, que, como o Cordeiro, vivem na partilha, confiam, resistem e não entregam os pontos!

Capítulo 6 – esse capítulo traz uma análise da realidade, ou seja, as inúmeras guerras que o império fazia para conquistar terras e escravos.

6,3: cavalo branco – existem divergências entre os biblistas, quanto à interpretação desse cavalo. Ele é identificado, por alguns, como representação do império vencedor ou como o próprio verbo encarnado. Já o arco é símbolo do poder e a coroa quer lembrar o império, o sistema helenista, escravagista.

6,4: cavalo vermelho: as guerras de conquista para adquirir escravos, mercadoria, terra!

6,5: cavalo negro: comércio, lucro, exploração.

6,8: cavalo esverdeado – cor de cadáver: doença, peste

Havia guerras constantes produzindo fome, doença, morte, conseqüência da falta de higiene e descuido das elites.

Temos que ter presente, que o Apocalipse só é entendido a partir do chão de nossa vida.

Vamos ler: 6,9-11: esse Cordeiro, essa comunidade não está se auto flagelando. O sofrimento é conseqüência do projeto comunitário. Eles/elas estão inseridos/as na história – é tempo do imperador Nero, que causou grandes sofrimentos aos cristãos de Roma.

Esse pessoal volta ao Primeiro Testamento para entender o momento presente e conclui: “Vamos chegar lá”. Eles/as têm uma certeza absoluta: “Deus nunca abandona o servo” – isso eles e elas tiram dos Cânticos do Servo Sofredor de Isaías. Se vocês estão lutando pelo direito, pela justiça, o Deus do Êxodo está com vocês. Deus nunca abandona seu povo. Continuem caminhando na contramão do império romana.


Resumo:

As comunidades do Apocalipse estão numa sociedade helenista, escravagista. O Imperador é chamado o Senhor = κυριος o Kyrios. Ele está no topo da pirâmide e controla tudo. A maioria do pessoal que freqüenta as comunidades é escravo.

No momento, o imperador é Nero. Ele persegue as comunidades de Jesus, porque elas têm um projeto diferente do projeto do império: escravagismo X projeto comunitário.

O grupo das comunidades não tem o controle da história.

Nesse contexto, as elites se divertem levando os cristãos para os leões devorarem.

A sociedade é desumana. A vida das pessoas é mercadoria: (Ver Ap 18,13).


Surge o movimento apocalíptico, como uma força de esperança e resistência

a) Deus é o Senhor da história. A história não está perdida. No mundo de cima, Deus é o Senhor da história. Ele é o Deus do Êxodo que vive no meio do povo. Ele não é o Senhor que está por cima, como o imperador. “Vocês me chamam de Senhor, façam a mesma coisa que eu fiz” Jo 13. Nesse mundo de opressão e exclusão, quem consegue mudar as coisas é o Cordeiro.

b) O Cordeiro não é passivo. Essa reflexão vem de duas tradições antigas: a festa judaica – projeto de partilha e de solidariedade e também da imagem do Servo Sofredor que preservava a prática do direito e da justiça, ou seja, é um agir na contramão da história.

Cp. 7: Os sete anjos

Vejamos agora: Ap 8,1 – 10,7: leitura do texto.

Temos aqui a descrição da história do Êxodo. A ameaça das seis pragas como castigo de Deus para tentar convencer o grupo que está engajado no sistema do mercado, que esse não é o caminho.

Ap 10,8 – 11,13: É um acréscimo ao texto antigo.

Ap 11,19: última praga. O mundo se transforma no Templo do Senhor.

A comunidade descreve a mão de Deus como praga no Egito.


5) Estudo de Ap 12 – 22: O roteiro do julgamento final

Época de Domiciano – ano 95. Vejamos a realidade daquele momento. Ap 2,9 e 3,9 usam a expressão “Sinagoga de Satanás”. Relembremos o que aconteceu com os judeus cristãos nas décadas de 70 e 80. No ano 70, o império fez aliança com os judeus fariseus e no ano 85, os judeus cristãos foram expulsos das sinagogas.

Nesse contexto, os judeus cristãos, além do sistema escravagista do império, sem a proteção das sinagogas, estão expostos a todo tipo de perseguição. Assim, o primeiro livrinhos do Apocalipse 4 – 11, ou seja, o roteiro do Novo Êxodo, não era mais suficiente.

A comunidade elabora um segundo livrinho: Ap 12 – 22, onde descreve o roteiro do julgamento final: Novo Céu e Nova Terra X o sistema opressor. Aqui temos:

- o sistema do império, escravagismo, perseguição – é a grande BESTA.

- a perseguição dos judeus fariseus: as Bestinhas. Essas são piores, porque estão presentes no cotidiano, na intimidade das comunidades. A perseguição ficou mais forte e se espalhou por todo o império. Era preciso “aumentar a bateria”. O livro do Êxodo não era suficiente. A comunidade retoma a imagem da “nova criação” – todo o universo está dividido entre o bem e o mal.

Ap 12: a mulher representa o bem X o dragão que representa o mal. Essa luta começou no céu, no mundo de cima. Agora essa mesma luta acontece na vida das comunidades. A mulher, grávida, dando a luz, é a comunidade cristã, na sua fragilidade para gerar vida.

É interessante notar que o dragão nunca ganha. Ele é derrotado quatro vezes! Em:

* 12,4-5: Deus tira a mulher do perigo do dragão. O dragão não consegue devorar o filho.

* 12,7-8: Miguel derrota o dragão.

* 12,11: aquele que luta e testemunha derrota o dragão.

* 12,16: a terra mãe ajuda a mulher

O cap. 12 descreve a luta entre o bem (a mulher, a vida) X e o mal (o dragão, a morte). O dragão é vencido. Deus, o anjo, os cristãos, a terra, todo o universo, se unem para dominar o dragão.

Ap 13 – 14: esses capítulos mostram a realidade das comunidades nesse novo momento histórico e fazem uma proposta.

O grande dragão é o imperador Domiciano. Ele é a Besta maior. Ele é a reencarnação da serpente, do domínio do mal.

A Besta maior, ou o Dragão, delegou o poder às Bestinhas = os judeus fariseus.

Nessa época, os judeus fariseus já haviam feito aliança com o império e se tornaram seus representantes legais.

Ler: Ap 13,3: a besta com dois chifres exerce toda autoridade na presença da Primeira Besta!

O texto vai falar da Bestinha ou falso profeta: 16,3; 19,20. 20,10. Quem é essa Bestinha que faz aliança com a Besta maior? É a elite judaica, que está na liderança do povo, que faz a propaganda da Besta do Império romano, como o lucro, o comércio, para que continue esse esquema de escravidão. Nesse sistema, o povo não tem acesso à terra, ao trabalho, à comida!

Esse grupo da elite judaica age como apoio à Besta maior = sistema helenista, escravagista. Todos eles têm a “marca da besta na testa”, por isso podem atuar com toda liberdade.

Ap 14: como nos capítulos 4 – 6, a força da vida supera a força da morte.

Quem consegue construir um novo céu e uma nova terra? Aqueles/as que são virgens. Quem são eles/as? Trata-se de uma linguagem fechada. É uma imagem tirada do Primeiro Testamento. Quando havia uma guerra santa – guerra para autodefesa – os homens não podiam dormir com suas mulheres, em solidariedade com os que estavam na guerra. Ver 2Sm 11,10ss.

A Bíblia tem uma linguagem própria que só quem é da comunidade entende.

Aqui, a mensagem é a seguinte: não é Bestinha aquele que não se contaminou com a ideologia da grande Besta e permanece fiel ao projeto de solidariedade do Servo, numa espera ativa.

Ap 15 – 19: esses capítulos trazem várias lutas.

Ap 20: descreve a derrota definitiva.

Ap 21 – 22: a grande celebração da Utopia. Vamos ver: nessa Utopia, qual a grande realidade que transparece? Qual a proposta de mudança?


UTOPIA

“Arrisca teus passos por caminhos

Que ninguém passou;

Arrisca tua cabeça pensando

o que ninguém pensou”.

(militante anônimo, Maio de 1968/Paris)

“Para que serve a utopia?

Ela está diante do horizonte,

me aproximo dois passos

E ela se afasta dois passos.

Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos mais à frente.

Por muito que eu caminhe, nunca a alcançarei.

Para que serve a utopia?

Serve para isso: para caminhar”.

(Eduardo Galeano)



[F1] Pautar o texto Os judaizantes:

Judeus adeptos da fé em Jesus,

Judeus indecisos,

Judeus chamados débeis,

Judeus chamados fortes.

[F2] No ano 63 os romanos atracam na Judeia. Pompêu aprisiona mais de 200 mil judeus como escravos. 80 mil partem para Alexandria; 20/30 mil para Antioquia (escravos em Tarso). Paulo seria filho de um liberto que depois teria a cidadania romana. 60 mil são enviados por Pompêu para Roma, onde residiam na atual zona de Trastevere. Não é em vão que lá está o túmulo de Pedro – atual cidade do Vaticano.

Como chega na comunidade o anúncio da mensagem de Jesus? Não temos indícios claros. Os mais pobres se dedicam aos trabalhos mais pesados e insalubres. Os judeus ocupam a parte mais pobre da pirâmide social romana.


[1] Cf. Mestres, Carlos: “A entrada no livro do Apocalipse”.


[2] Como futuros padres e animadores de comunidades, nós poderíamos escolher a comunidade mais frágil e endereçar a elas uma salutar carta nesse Tempo Pascal, tendo como eixo o Ano da Fé, a JMJ, os 50 anos do VT, as ordenações sacerdotais, os gestos de esperanças oriundos do início do pontificado do Papa Francisco, a superação da miserabilidade, as posições em defesa da vida, entre tantos outros motivos.

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Notas- ΄Αποκάλυψις – Frizzo

2 comentários


nolafo.wle156+abc123
16 de ago.

Mình có thói quen xem soi cầu XSMB với soi cầu MB hằng ngày cho kịp trước lúc quay số. Thay vì đoán theo cảm giác, mình thường đọc thêm phần dự đoán XSMB rồi ngó qua thống kê lô gan, lô xiên để tự xem dạo này nhóm số nào có vẻ nổi. Nhiều khi anh em trong nhóm còn gửi thêm dự đoán xsmb pro để mình tham khảo cho vui, nhất là lúc mình đem so với dữ liệu lịch sử và mấy công cụ quay thử kiểu Rồng Bạch Kim để nhìn tần suất rõ hơn. Theo mình muốn dự đoán xổ số miền Bắc ổn hơn thì nên ghép nhiều thứ như cầu bạch thủ…

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uyenghomsoet.h.uy.e.n+abc123
11 de ago.

Mình mua vé số chủ yếu cho vui, kiểu xem kết quả như một thói quen giải trí chứ không nghĩ nhất định phải trúng. Trước đây nghe bạn bè bàn về “bắt cầu”, “lô kép” này nọ nên mình cũng thử để ý xem có gì hay ho không. Theo dõi một thời gian thì thấy đôi lúc có vài dạng số lặp lại, nên mỗi lần đọc nhận định mình hay ghi lại vài dòng, rồi đợi ra kết quả để tự kiểm tra xem có phải mình đang tự tưởng tượng ra quy luật không. Có lần mình đọc ở https://soicauxsmb.io/lo-kep-xsmb.html để có thêm chuyện tám với mọi người thôi. Trúng chút thì vui, nhưng sai nhiều…

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Professor Padre Antonio Carlos Frizzo

Possuo doutorado em Teologia Bíblica pela PUC-Rio (2009). Sou professor no Instituto São Paulo de Estudos Superiores (ITESP- SP) e assessoro cursos no Centro Bíblico Verbo, SP.

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